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Texto publicado em 30/08/2010* - 16:43, segunda-feira.por Padre Ari
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A verdade não ameaça a pluralidade cultural, social e política, mas é suporte a um povo livre
A inteligência é o que destaca o homem das demais criaturas e nos induz sempre a buscar a Verdade como fim último de toda e qualquer pesquisa. Prescindir desse pressuposto como ponto de referência supõe ausência de seriedade, idoneidade, competência e vontade de acertar. Isso nos mostra que o encontro com a Verdade tem uma dimensão muito mais profunda e complexa que os simples dados que a ciência, por mais sofisticada que a mesma seja, possa nos apresentar. A ciência sempre será provisória e vai permanecer na provisoriedade, e, não tem espaço para uma Verdade “Última”. A característica da finitude existencial humana dentro do tempo e do espaço fundamenta o conhecimento empírico. Essa constitui a prova mais contundente de que a história jamais pode fechar-se sobre si, pois, limita o avanço da pesquisa científica, assim como cerceia a liberdade, pois, essa também é situada e limitada. O ser humano enquanto está no contexto da historicidade sempre há de se confrontar com verdades parciais e nunca com a Verdade última. Contudo, o pluralismo cultural é rico, mas pode e deve ser respeitado em suas diversidades e nas manifestações próprias de cada região ou povo que retrata a dimensão de liberdade, dentro de um contexto que também limita o sentir-se livre.

O QUE SIGNIFICA BUSCAR A VERDADE?

Remontando a história, a pergunta pela Verdade, sempre esteve presente na vida humana. A própria filosofia cujo pressuposto é a razão ao longo dos tempos sempre se interrogou sobre a mesma. É significativo voltarmos a perguntar: o que vem a ser a Verdade e a Liberdade? No início de um novo século, ainda com feridas abertas por absolutizar ideologias horizontalistas e imanentes, parece retratar uma teimosia rançosa de alguns intelectuais que mostram um total desconhecimento das vidas ceifadas em nome de ideologias, que prescindiram do Senhor da História. As aspirações dos cidadãos e as expectativas depositadas nos governos reclamam novos modelos na “Vida Pública” e de solidariedade entre as nações e os povos, sem os quais o futuro de um mundo de justiça, de paz e de prosperidade para todos continua ainda sem respostas. A ansiedade dos jovens se estampa no rosto de cada um, a pergunta quanto à natureza da liberdade conquistada. Para que finalidade se vive em liberdade? Quais são as suas autênticas características definitivas? A Carta Encíclica “Spe Salvi” nº25, de Bento XVI diz: “Cada geração tem a tarefa de se comprometer desde o início na árdua procura do modo como ordenar corretamente as realidades humanas, esforçando-se por compreender o reto uso da liberdade”. Ora, isso nos faz pensar que as aspirações humanas elevam-se acima de nós mesmos, para além daquilo que qualquer autoridade política ou econômica possa oferecer rumo àquela esperança luminosa (ibidem- nº25). A verdadeira liberdade sempre pressupõe a busca da Verdade – do Verdadeiro bem – e, por conseguinte encontra o seu próprio cumprimento precisamente no fato de conhecer e de fazer aquilo que é reto e justo. “a Verdade é a norma-guia para a liberdade, e a bondade e a perfeição”. Aristóteles na Ética a Nicômaco dizia: “aquilo para o que todas as coisas tendem, (...) não obstante seja digno de alcançar a finalidade até para um único homem, todavia é melhor e mais divino alcançá-lo para uma nação ou para uma pólis” (op.cit apud – Caritas in Veritate – nº2). Precisamos ter consciência de que quem quer que exerça o papel de guia seja nos campos, religioso, político ou cultural o comprometimento na luta da liberdade e na procura da Verdade; ou as duas coisas caminham juntas, de mãos dadas, ou então perecem juntas de forma miserável. ( Fides et Ratio – nº90).

A VERDADE PARA OS CRISTÃOS TEM NOME CLARO: DEUS.

A cultura contemporânea, já afirmado em outros textos, parece que alguns “intelectuais”, baseados em informações históricas que insistem em carregar no seu bojo o ranço do pensamento iluminista e neo-iluminista, retratam uma auto-afirmação de independência ante os valores da fé como forma única de responder às necessidades humanas, na imanência histórica. Ora, tal conduta paralisa a cultura em seu desenvolvimento saudável, como se essa vista na ótica da temporalidade fosse, a Verdade última, embora tenhamos que reconhecer os erros lamentáveis de muitos cristãos no passado e ainda hoje. Não existe nem instituição e menos ainda pessoas ideais com suas grandes qualidades e seus defeitos. É notável ver escritores que pensam de forma diferente, mas, que sabem discernir a verdade, daquilo que no passado transgrediu a pureza do evangelho. Para exemplificar tal posição crítica ao anti-cristianismo de algumas novas gerações de intelectuais vou citar dois importantes autores: O filósofo agnóstico Benedetto Croce (1866-1952)quando afirmava em seus artigos: “não ser possível negar que somos no Ocidente fundamentalmente cristãos”. Também o materialista Antonio Gramsci (1891-1937), fundador do Partido Comunista italiano, reconhecia “ser a difusão do cristianismo a base da maior revolução intelectual e moral da humanidade”. De acordo com o título acima exposto a “Verdade para nós cristãos tem nome: Deus. E o bem tem um rosto: Jesus Cristo. O mundo será diferente em todos os sentidos, à medida que levarmos a sério o desenvolvimento integral nos diversos segmentos da sociedade, evitando absolutizar ideologias imanentes, mas solidificando num patamar sólido da fé, da Verdade, da Verdadeira esperança que é Deus. Cada um segundo a sua consciência, mas que transcenda o aqui e o agora. Pense e reflita!

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